Cleópatra & Frankenstein

 


Sinopse: Nova Iorque está a escapar por entre os dedos de Cleo, que fugiu de Inglaterra em busca do seu lugar na cidade que nunca dorme. Apesar de andar de festa em festa todas as noites, quase não conhece ninguém. O seu visto de estudante está a terminar quando conhece Frank, vinte anos mais velho, com uma vida cheia de sucesso e todos os excessos que faltam a Cleo. Ele oferece-lhe a oportunidade de ser feliz, a liberdade para pintar e a possibilidade de se candidatar a um visto de residente. Ela oferece-lhe uma vida imbuída de beleza, arte e, talvez, uma razão para reduzir o seu consumo de álcool. Ele é tudo o que ela precisa neste momento. Cleo e Frank casam impulsivamente sem prever que isso irá mudar irreversivelmente tanto as suas vidas, como as de todos em seu redor, seja a do melhor amigo de Cleo a tentar compreender a sua identidade de género, seja a da irmã financeiramente dependente de Frank que começa a sair com homens mais velhos quando fica sem dinheiro, ou mesmo as de Cleo e Frank, que estão a descobrir as provações do casamento e da doença mental. Cleópatra e Frankenstein é um romance de estreia surpreendente e dolorosamente tocante sobre as decisões espontâneas que moldam a nossa vida e as relações imperfeitas que nascem em noites inesperadamente perfeitas.

Sem sombra de dúvida dos livros que mais gostei de ler em 2025, estava muito curiosa para ler e não decepcionou, não é um livro fácil de ler ou divertido é um romance com pessoas imperfeitas que estão a tentar sobreviver num mundo cheio de armadilhas. 
Este livro não é para todos porque, na verdade, não há um enredo, é narrado do ponto de vista de vários personagens, e todos eles são deprimidos e estranhos à sua maneira. Não há muito enredo para se falar, além da dinâmica e dos relacionamentos entre eles, principalmente Cleo e Frank, um casamento quase de fachada baseado principalmente na paixão e na diferença de idade, e aqueles ao seu redor: a meia-irmã mais nova de Frank, Zoë; os amigos de Frank, Anders, e outro personagem mais chato e desinteressado cujo nome não me lembro; o melhor amigo de Cleo, Quentin; a melhor amiga de Zoë, Audrey; e, finalmente, Eleanor. Mas, apesar disso, eu adorei. Os personagens pareciam reais e autênticos. Não importa o quão moralmente ambíguo um personagem fosse, eu não conseguia odiá-lo, porque, mesmo com os seus defeitos, eles também eram engraçados, cativantes e muito humanos. É preciso estar preparado para personagens antipáticos para ler este livro. É preciso estar disposto a embarcar numa jornada que não termina necessariamente com os protagonistas brilhando e reluzindo. Eu teria gostado que houvesse um pouco mais de tempo para que os personagens realmente se aprofundassem nos seus problemas e para que confrontassem o fato de que o mundo é muito maior do que apenas os dois; embora, de certa forma, eu acho que esse é o ponto que Mellors está a tentar transmitir.
Pessoas apaixonadas, ou com desejo, não veem o mundo além de si mesmas. Jovens, pessoas com vícios, pessoas com experiências traumáticas na infância, seja o que for. Todas estas coisas podem somar-se ao coquetel perfeito de sofrimento e busca por significado. Isto não justifica o comportamento deles e, claro, nem todas as pessoas com estes problemas terminam como Cleo e Frank. Mas esta é a história de apenas duas dessas pessoas, e acho que Mellors fez um trabalho magistral ao contá-la. É um dos livros que mais sugiro ler. 

"Quando a parte mais obscura de ti encontra a parte mais obscura de mim, cria-se luz."

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